PERSONAGENS DA ÁREA DA SAÚDE

DR. WALDEMAR BERARDINELLI

 

O Dr. Waldemar Berardinelli nasceu em Jacareí, em São Paulo, no dia 27 de junho de 1903.

Assim como muitos Jacareienses, iniciou seus estudos no Grupo Escolar "Cel. Carlos Porto", e posteriormente, seu curso secundário foi realizado no Ginásio Joaquim, dos Salesianos, em Lorena. Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1919, tendo se diplomado em 1924.

Estudante, já se distinguia pela inteligência, cultura e curiosidade científica, publicando quatro trabalhos sobre temas de Neurologias e Propedêutica Médica.Formado, logo se destacou pela devoção ao ensino, capacidade de congregar colegas e estudantes, originalidade e elegância de seus artigos, lição e decursos. Já em 1929 obteve a docência-livre das cadeiras de Clínica Médica e Clinica Propedêutica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil com tese intitulada: Diferenças Individuais e sua importância em Semiologia.

Ele foi médico endocrinologista e, até hoje é considerado o pioneiro em sua especialidade no Brasil.

Foi catedrático de clínica médica da congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, o fundador do Instituto de Endocrinologia da Santa Casa de Misericórdia em 1950 e o primeiro Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Foi também o fundador dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metobologia e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e diretor do Hospital Escola São Francisco de Assis.

Em 1941, defendendo a tese “Periarterite nodosa”, o Dr. Waldemar Berardinelli venceu o concurso para ocupar a Cátedra de Clínica Médica da Faculdade Nacional de Medicina, sucedendo seu grande mestre Aloysio de Castro. Ele publicou importantes trabalhos cujos temas são da especialidade de reumatologia, como sobre a Síndrome de Sjögren, em 1943 e em 1948, que foram os primeiros casos descritos no Brasil, e sobre a Síndrome de Reiter, em 1954.

Em 1943, conquistou, em memorável concurso, a cátedra de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, apresentando tese sobre Periarterite Nodosa. Passou a reger a 4ª Cadeira de Clínica Médica, sediada na 20ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia.

O Dr. Berardinelli, junto com Rocha Vaz, foi um precursor para os estudos sobre a biotipologia da clínica, admitindo as conclusões de Francisco de Castro sobre influência dos atributos morfológicos gerais do organismo na configuração de homens desiguais diante da doença. Seus estudos estão reunidos no “Tratado de Biotipologia e Patologia Constitucional” - o primeiro livro escrito sobre o assunto no Brasil. Este livro é mundialmente reconhecido e foi traduzido para diversas línguas.

Em 1953, ele se dedicou a estudar a chamada “doença da arranhadura do gato”, também conhecida como doença de Debré ou eluronicose. Entretanto, a pesquisa que o consagrou no universo médico foi a descrição de uma nova síndrome endócrino-metabólica, individualizada na base de uma associação inédita de sintomas, sinais e alterações metabólicas, para a qual foi proposta, por autorizados especialistas de nosso continente, a denominação de Síndrome de Berardinelli.

Esta Síndrome de Berardinelli, que foi descrita em 1954, também ficou conhecida como Lipodistrofia Generalizada Congênita, e caracteriza-se por gigantismo acromegalóide infantil, hepatoesplenomegalia, taxas de colesterol, glicose, proteínas muito elevadas no sangue, hipertrofia dos tecidos conjuntivo e tecido adiposo da pele, ânus em posição alta e pela presença de fosseta coccígea.

Trata-se de uma forma de tesaurose (armazenamento anormal ou excessivo, de substâncias - normais ou estranhas - no corpo). O portador da Síndrome de Berardinelli possui veias que parecem estar dilatadas, abdome proeminente, hérnia umbilical e hepatoesplenomegalia.

No estado do Rio Grande do Norte, no Brasil, a geógrafa Virgínia Dantas publicou uma dissertação sobre a síndrome, abordando especificamente a sua ocorrência na região do Seridó, no Rio Grande do Norte.

O Dr. Berardinelli reuniu seus trabalhos de Clínica Médica em quatro tomos seriados. Além deles, publicou também outras obras que estendem-se para o campo literário: “Medicina e Médicos”, no qual reúne estudos sobre a obra de Machado de Assis; “Silentiarus”, que foi um estudo sobre Manuel Antonio de Almeida; dentre outros.

Dedicado ao magistério, o Dr. Waldemar Berardinelli foi professor de espírito curioso, dinâmico, de profunda cultura humanística e de humor contagiante, que sempre fazia ameno o assunto mais árido

À entrada do laboratório de sua clínica lia-se: “Os olhos no microscópio, as mãos nas provetas; no doente, os olhos, as mãos, os ouvidos, o ‘faro’, o cérebro e o coração”.

Vale ressaltar que o Dr. Waldemar Berardinelli recebeu como homenagem uma rua com seu nome em Jacareí, no Estado de São Paulo.

Ele era tio do Acadêmico Affonso Berardinelli Tarantino e tinha como Discípulo Predileto o Honorário da ANM, Mario Giorgio Marrano.

Foi laureado pela Academia Nacional de Medicina com os prêmios Alvarenga, Azevedo Sodré e Doutorandos de 1900. Em 1931, ocupou, interinamente, a cátedra de Clínica Neurológica da Faculdade Fluminense de Medicina, da qual foi docente livre e catedrático interino em 1937. Foi ainda catedrático de Endocrinologia e Patologia Constitucional da Faculdade de Ciências Médicas.

Foi nomeado para direção do Hospital Escola São Francisco de Assis, em 1948; reformou-o e nele criou  um serviços de doenças vasculares periféricas

Sua bibliografia inclui, além destas teses já citadas, quatro volumes de Clínica Médica, Casos clínicos Comentados, Biotipologia Criminal, Doenças dos Rins, Três Sistemas (em colaboração com Hélion Povoa) de Semiologia Parvivascular, Esbocetos de Endocrinologia, Tratados de Biotipologia e Patologia Constitucional, Curso de Clínica Médica.

Sua obra literária está reunida em Breviloqüência, Tipos Humanos na Vida e na Arte e Medicina e Médicos.

Representou o Brasil em vários congressos no exterior e foi membro de sociedades médicas nacionais e estrangeiras. Realizou estágios na França e Itália. Trinta e Sete dos seus artigos foram publicados na imprensa médica estrangeira.

Faleceu no Rio de Janeiro ainda jovem, aos 52 anos, no dia 26 de janeiro de 1956.

 

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