LITERATURA - LUDMILA SAHAROVSKY

 

 

 

Construir a biografia de um personagem neste blog não é uma tarefa tão simples, é delicada demais, uma vez que, o texto será a imagem que o leitor terá desta pessoa ora homenageada.

Elaborar a biografia de um personagem especial, como a de Ludmila Saharovsky somente seria perfeita se narrada por ela mesmo. Por esta razão extrai sua biografia do seu site pessoal, conforme demonstro a seguir.

“ Eu nasci no pós-guerra, num campo de refugiados de nome Lager Parsch, na cidade de Salzburgo, na Áustria.
Vocês podem imaginar um começo de vida na pobreza mais franciscana? Meus pais e avós paternos, como a maioria dos refugiados, perderam tudo durante a segunda guerra: perderam amigos, parentes, perderam sua casa, seus objetos de valor, roupas, livros, documentos. Só não perderam a vida e a vontade de viver e reconstruir tudo, que recomeçou para eles com o casamento de meus pais e o meu nascimento.
Todos, naquele campo, como nós, levavam uma vida extremamente diferente em todos os sentidos. Não havia emprego qualificado, não havia salário, vivia-se de gorjetas pelos serviços prestados e na verdade, também não tinha o que comprar. Morávamos em barracões construídos para nos abrigar e que eram divididos por várias famílias.

A cozinha e os banheiros eram comunitários. Qualquer objeto abandonado na rua servia de material de troca ou de matéria prima para as necessidades mais prementes. A minha roupa era feita com reformas de outras roupas doadas para nós, que a mãe e a avó reformavam. Os brinquedos também eram confeccionados da mesma forma: eram bichos de pano, com moldes inventados ali, pelas costureiras. Os carrinhos para os meninos eram feitos de sucata. Os brinquedinhos de madeira eram confeccionados pelos mais habilidosos nas horas vagas. E havia também as doações do povo austríaco.

Depois da guerra, os russos que fugiram do regime soviético e se espalharam pela Europa, e se alistaram no exército alemão na esperança de que, vencendo a guerra, os alemães extinguissem o regime comunista, não podiam ser repatriados, porque seriam executados, como muitos foram. Assim, a quantidade de russos que se tornaram exilados era enorme. Para abrigá-los foram construídos os campos de refugiados, administrados pelos países aliados: França, Inglaterra e Estados Unidos. Minha família foi enviada para o campo administrado pelos Estados Unidos. Era uma sequência de barracões. Cada barracão tinha internamente um longo corredor para o qual se abriam as portas dos quartos. Cada quarto abrigava 4 pessoas. A cozinha, a lavanderia e os banheiros eram comunitários e ficavam no final do corredor. Todas as famílias recebiam uma cesta de alimentos a cada 15 dias, com alimentos básicos para a sobrevivência: manteiga, bolachas cream cracker, um pacote de cacau, uma lata de aveia, uma lata de leite condensado, leite em pó, macarrão, farinha de trigo, enlatados, fermento, uma lata de queijo cheddar, azeite, latas de sardinha, pepinos em conserva, açúcar e sal e um grosso tablete de chocolate. Legumes eram plantados em pequenas hortas improvisadas e cuidadas por todos. Os bosques nos forneciam cogumelos para sopas deliciosas e frutas silvestres para as geleias. Sobrevivemos.
 

Foi criada uma comissão internacional para realocar os refugiados e vários países se prontificaram a receber certo número deles, de acordo com as suas profissões, idade, número de filhos e de idosos. Muitos foram para a Austrália, a África do Sul, a Argentina, os Estados Unidos, Venezuela, Uruguai, Brasil.

Bom, nem é preciso dizer que não havia TV nessa época, e os poucos aparelhos de rádio eram ouvidos por todos num barracão que era utilizado como salão de reuniões, ao qual foram acoplados uma capela da religião ortodoxa e, mais tarde, construída uma escola para os pequenos alunos. Neste nosso campo, a maioria das pessoas possuía formação superior, assim não foi difícil encontrar professores.

Não havia livros. Nós, pequenos, não sabíamos ler, então, os mais velhos nos agrupavam nesse salão comunitário e nos distraiam contando as histórias de contos de fada, que sabiam de cor. Histórias, poemas infantis, músicas. Formigas, grilos, mosquitos, os seres que moravam no bosque que nos cercava, eram os protagonistas de incríveis aventuras, junto com o gato de botas, o cavalinho corcunda, a princesa rã, o peixinho dourado, o hotel dos pequenos bichinhos que se refugiaram numa luva perdida no campo, e tantos outros personagens que povoaram nossas manhãs, tardes e muitas noites de encanto e fantasia. O avô, à noite, junto com a mãe se empenhava em escrever e ilustrar (ambos desenhavam muito bem) contos dos quais se lembravam, produzindo uns livrinhos artesanais, que acabaram ficando na Áustria.

Quando conseguimos o visto para nos fixarmos, finalmente, no Brasil, o início de nossa vida de imigrantes, instalados em dois cômodos na então Aldeia de Carapicuíba também não possibilitava o luxo de comprar livros infantis. E livros, na época eram um objeto bem caro. Livros brasileiros a gente não sabia ler. Livros russos, não existiam. Mais uma vez o avô passou a contar e a desenhar para mim personagens e contos dos quais se lembrava ou que inventava, onde eu sempre era a protagonista. A seguir fotos de uma rua de Carapicuíba e da aldeia vizinha à nossa casa.

E foi assim que a literatura entrou na minha vida e os livros tornaram-se meus melhores amigos de infância. Viajar por histórias fantásticas, com personagens mágicos em terras distantes fazia a minha imaginação se desprender da vida dura que nos cercava e viajar por um outro mundo mágico e onírico que povoava minha imaginação e me fazia companhia, na falta de amigos reais e de outras tantas diversões das quais falta de dinheiro nos privava.
Assim, para mim é muito difícil entender como existem pessoas que não lêem e não estimulam as crianças ao hábito da leitura.
Tudo começa quando a criança fica fascinada com as histórias maravilhosas que moram dentro do livro.

A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras. Quando alguém lê e a criança escuta com prazer, ela se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras e deseja decifrá-los, compreendê-los, porque eles são a chave que abre o mundo para as delícias que moram dentro. Ela quer aprender a ler, porque percebe que aqueles símbolos podem contar e recontar sempre que quiserem ouvir, a mesma história.
Quando uma criança de dois, três, quatro anos ouve a voz da mãe, da avó, da professora, ela lê o texto com uma voz emprestada. Ela como que está “lendo” com os seus ouvidos.
 

Para muitos pais e professores, a maturidade e o preparo das crianças para a vida adulta depende exclusivamente do ensino pedagógico oferecido pelas escolas.

Esquecem-se eles, de explorar os sentimentos de seu pequeno aluno, como integrantes fundamentais que são, da formação de caráter daquele ser que lhes é oferecido para ser formado. O mundo interior de cada um, desconhecido pela consciência intelectualizada encerra anseios e segredos, guarda a metade de nós mesmos, e sua assimilação é imprescindível para o encontro de respostas honestas para os grandes enigmas da existência.
 

Nesse particular, os contos de fada cumprem relevante papel: eles são uma expressão cristalina e simples de nosso mundo psicológico profundo. São exemplos de conduta moral, de prêmio e castigo pelas nossas boas e más ações. Eles nos falam sobre os medos e a coragem em enfrentá-los, sobre a fraternidade, sobre outros mundos. Eles possuem uma fórmula mágica capaz de envolver a atenção das crianças e despertar-lhes sentimentos e valores intuitivos que clamam por justiça, por segurança, por compaixão.
 

Quando pedem ao narrador que conte a mesma história, eles revivem sentimentos que vão sendo trabalhados a cada repetição daquele drama, ampliando os significados ou substituindo-os por outros mais eficientes conforme as necessidades do momento.
 

Ao trazer a literatura infantil para a sala de aula, o professor estabelece uma relação de diálogo com o aluno, com o livro, com sua cultura e com a sua própria realidade. Além de contar ou ler a história, ele cria condições para que a criança trabalhe com a história a partir de seu próprio ponto de vista, trocando opiniões sobre ela, assumindo posições frente aos fatos narrados, defendendo atitudes e personagens, criando novas situações através das quais as próprias crianças vão construindo uma nova história.
 

Bom…mas como implementar tudo isso e colocar em uso na nossa realidade? Nas nossas escolas? Em primeiro lugar, precisamos ser leitores apaixonados. Somos os exemplos mais vivos para os pequenos que, depois dos pais, veem nos mestres os seus heróis. Entrem na sala de aula portando nas mãos um livro. Comentem como ele é interessante, instiguem a curiosidade de seus pequenos alunos, servindo-lhes de referência.
 

Habituem-se a ter uma atividade como a hora do conto em suas salas de aula. Não como uma simples recreação, mas como uma tarefa prazerosa que envolve a todos. Estimulem a discussão, o desenho, o entendimento dos personagens. Estimulem a criação pelos alunos de suas próprias recriações daquela história.
Comemorem o dia do livro com prêmios, palestras, distribuição de passaportes da leitura, troca de livros.

Levem seus alunos para conhecerem a Biblioteca Pública de nossa cidade, que possui um acervo muito rico em literatura infantil.
 

Em classes que já dominam a leitura, proponham pesquisas sobre os escritores de literatura infantil nacionais, regionais e clássicos. As crianças se interessam muito em quem foi a pessoa que escreveu aquele determinado livro, onde ela morava, se tinha filhos, como escrevia, quem o inspirava. A história de vida de um autor é, para a criança, tão interessante quanto a sua obra.
 

Temos escritores infantis muito bons que moram em nossa cidade, que moram nas cidades vizinhas. Promovam encontros com eles. Marisa Mirras, Dinamara Osses, Dila Bento, Itamara Moura, Stefania Andrade, Val Saab, Rita Elisa Seda, Thais Accioly, Mirian Cristina, Karina Mullert.

Em vista de meu testemunho de vida, eu posso afirmar que a possibilidade da literatura ser ofertada aos nossos pequenos como um alimento vivo, como um alimento para o desenvolvimento saudável de seu psiquismo, não depende de leis. Depende do nosso livre arbítrio, dos nossos valores e nossas crenças, depende de pessoas que invistam no lúdico e no afeto, como formas de tornar o ser humano mais forte e mais sábio.
Bom, e como ir da teoria à prática? Como eu escrevi no Projeto da LIC, a mente humana só raciocina com base naquilo que tem guardado na memória, isto é: com sentidos, entendimentos, conhecimento, enfim, símbolos que ela possui e que traduzem a realidade da vida em seus múltiplos aspectos. São estes símbolos que nos permitem pensar, raciocinar, fazer sinapses, e a literatura, por ser feita deles, a começar pela própria palavra, ela é a essência, ela é o alimento para a nossa mente, para a nossa inteligência.
Como nós, os animais também reagem inteligente e sensivelmente aos estímulos de seu meio. Mas não pensam. Não raciocinam. Falta neles uma característica muito importante das funções mentais, chamada metacognição que é a habilidade de monitorar e controlar memórias e percepções. Eles apenas reagem com fugas ou ataques diante de uma adversidade. Mas, a vida humana não se resume a fuga ou ataque. E, se nos diferenciamos dos animais por pensar, vamos alimentar esse segmento de nossa inteligência. Sem essa alimentação, nós não diminuiremos o número de analfabetos funcionais.
 

Hoje, segundo reportagem do jornal O Globo, apenas 22% dos alunos que chegam à faculdade tem plena condição de se expressar e compreender o assunto da aula. Outros 42% estariam num grupo intermediário. Mas o que mais preocupa é a constatação de que 32% de nossa elite educacional têm domínios apenas elementares de habilidades de leitura, escrita e realização de cálculos aplicados ao cotidiano, sendo que 4% podem ser chamados de analfabetos funcionais. Esses são dados do Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, com apoio do Ibope Inteligência.
 

Em 2017, num universo de 4.725.330, 309 mil estudantes zeraram a redação -  6,5% sendo que apenas 53 estudantes conseguiram a nota máxima.
E o que é esse analfabetismo funcional senão a incapacidade de analisar os fatos apreendidos na realidade? Precisamos pensar seriamente o que acontece de tão errado com as nossas escolas e nossa política educacional.
Por todas essas razões, estimular o hábito da leitura e, antes de tudo, uma ato de amor e de respeito ao ser humano.
 

E quem melhor do que vocês, mestres, para serem o exemplo de amor, doação, generosidade, fraternidade e conhecimento que esses pequenos seres entregues à sua orientação, terão de lembrança de seu primeiro contato com o saber?

O primeiro mestre que nos cativou, assim como o primeiro beijo, a gente jamais esquece."

" Amo os meus amigos silenciosamente. E, às vezes, declaradamente. Amo os que lêem e os que não tem tempo para os livros, mas não economizam tempo para mim. Amo os que anseiam por encontros e os que preferem manter-se cativos entre as quatro paredes de seus lares de portas sempre abertas. Amo os de prosa livre e leve, mas também os que me carregam junto para as profundezas de suas dúvidas, dores e mistérios. Amo os de riso fácil e também os que sorriem apenas com os olhos. Tenho com eles um pacto que transcende palavras e se manifesta em atos de compreensão e solidariedade. As iniciais de seus nomes compõem a minha gramática afetiva e as minhas preces. Eles são os tijolos do meu templo vivo. Minhas raízes de fixação na terra. Meu maná e o vinho de minha comunhão na liturgia da vida.

Crônicas escolhidas e contos clandestinos

Em 26 de fevereiro de 2018, Benedito Veloso publicou esta crônica, em homenagem a Ludmila, em sua coluna no Diário de Jacareí.

"Você teria de consultar mais de 2.300 exemplares de jornais de Jacareí e São José dos Campos se quisesse ler a coleção de crônicas, contos e artigos escritos pela filha brilhante de Jacareí Ludmila Saharov. Ela começou a escrever semanalmente para jornais da cidade em 1972 - há 45 anos, portanto. São mais de 2.300 escritos no "O Combate", "O Jacareiense", "Agora", "Valeparaibano" e neste Diário de Jacareí.

Porém, não se preocupe com isso. Basta ter um pouco de paciência para degustar, já mastigadinhos, os melhores trabalhos dessa série cuidadosamente selecionados, pela amiga Dirce Araújo e pela autora em noites e madrugadas revirando o baú transformado em arquivo da produção literária: deve sair este ano ainda o livro "100 crônicas escolhidas e alguns contos clandestinos".

Boa parte dos contos, diz Ludmila, são baseados em histórias que seu avô, Juan Saharov, lhe contava e tem como cenário o campo de refugiados de guerra de Salzburg, na Áustria, onde o patriarca viveu com a família e onde Ludmila Nasceu.  São histórias já testadas por leitores dos citados jornais e que já lhe manifestaram aprovação em várias oportunidades. "Escreva mais dessas histórias do seu avô", era comum ouvir de leitores que se aproximavam dela nas ruas.

Depois, a família imigrou para o Brasil e foi morar algum tempo no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.  Com isto e pelo seu gosto literário, Ludmila teve oportunidade de conhecer escritores em começo de carreira, mas já conhecidos dos leitores e caminhando para o sucesso, como Clarisse Lispector, de quem era vizinha de prédio, Carlos Drummond de Andrade dentre outros. Em São José dos Campos conheceu e conviveu com Ruth Guimarães no que ela chama de "anos dourados da imprensa regional".

Ludmila escreveu oito livros. O último, "Jacareí, Tempo e Memória", foi publicado em 2016. Ela aguarda apenas a solução de alguns "detalhes mundanos" (como se diz na gíria editorial) para a publicação do próximo. Texto e autora já maturados pela convivência com os leitores são garantia de que "100 crônicas escolhidas e alguns contos clandestinos" logo estará deliciando os leitores com "gostinho de quero mais".

Em 26 de fevereiro de 2018, Benedito Veloso, publicou em sua coluna no diário de Jacareí, "Crônicas escolhidas e contos clandestinos"

"Você teria de consultar mais de 2.300 exemplares de jornais de Jacareí e São José dos Campos se quisesse ler a coleção de crônicas, contos e artigos escritos pela filha brilhante de Jacareí Ludmila Saharov. Ela começou a escrever semanalmente para jornais da cidade em 1972 - há 45 anos, portanto. São mais de 2.300 escritos no "O Combate", "O Jacareiense", "Agora", "Valeparaibano" e neste Diário de Jacareí.

Porém, não se preocupe com isso. Basta ter um pouco de paciência para degustar, já mastigadinhos, os melhores trabalhos dessa série cuidadosamente selecionados, pela amiga Dirce Araújo e pela autora em noites e madrugadas revirando o baú transformado em arquivo da produção literária: deve sair este ano ainda o livro "100 crônicas escolhidas e alguns contos clandestinos".

Boa parte dos contos, diz Ludmila, são baseados em histórias que seu avô, Juan Saharov, lhe contava e tem como cenário o campo de refugiados de guerra de Salzburg, na Áustria, onde o patriarca viveu com a família e onde Ludmila Nasceu.  São histórias já testadas por leitores dos citados jornais e que já lhe manifestaram aprovação em várias oportunidades. "Escreva mais dessas histórias do seu avô", era comum ouvir de leitores que se aproximavam dela nas ruas.

Depois, a família imigrou para o Brasil e foi morar algum tempo no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.  Com isto e pelo seu gosto literário, Ludmila teve oportunidade de conhecer escritores em começo de carreira, mas já conhecidos dos leitores e caminhando para o sucesso, como Clarisse Lispector, de quem era vizinha de prédio, Carlos Drummond de Andrade dentre outros. Em São José dos Campos conheceu e conviveu com Ruth Guimarães no que ela chama de "anos dourados da imprensa regional".

Ludmila escreveu oito livros. O último, "Jacareí, Tempo e Memória", foi publicado em 2016. Ela aguarda apenas a solução de alguns "detalhes mundanos" (como se diz na gíria editorial) para a publicação do próximo. Texto e autora já maturados pela convivência com os leitores são garantia de que "100 crônicas escolhidas e alguns contos clandestinos" logo estará deliciando os leitores com "gostinho de quero mais".

 

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