LITERATURA - CELSO LUÍS VASQUES - SUAS POESIAS

 

CONHECENDO O JAPÃO – PARTE 1 – INVERNO

Os preparativos da viagem

2021! Finalmente está chegando o dia, estamos livres da pandemia instalada por todo o mundo no ano passado. Porém todo cuidado e a preservação da saúde ainda têm que ser respeitados.

Conforme combinamos serei o guia turístico desta turma maravilhosa da Academia Jacarehyense de Letras para apresentar-lhes a Terra do Sol Nascente, o meu querido Japão, em pleno inverno. Haja frio!

Esta será a primeira etapa, de quatro programadas, pois combinamos de visitar o Japão nas quatro estações do ano.

Alguns ficarão para trás, alegando que não gostam tanto de frio assim. Os que vão embarcar nesta “aventura” maravilhosa já estão com suas malas quase prontas. Ludmila nem precisa tanto de recomendações, já está tarimbada em viagens internacionais, uma só já é suficiente, além de uma bolsa de mão de tamanho razoável pois temos que considerar que as tarifas de bagagens estão o “olho da cara”. Por sua vez o amigo Cabrera já está preocupado com que vai comer por lá. Benedito Veloso preocupado em comprar roupas mais quente, pois seu espírito não se dá tão bem com frio. Mas deixem espaço suficiente para "um par de meias brancas", todos vocês usarão em alguma ocasião especial.

Salette já deve estar eufórica! Solteiríssima! Com certeza vai encontrar muitos italianos “galanteadores” por lá. Os europeus adoram as montanhas de “Hokkaido” para esquiar. Também encontrei com a Esther Rosado agora a pouco com várias sacolas na mão, já se preparando para o embarque. Meus amigos, as roupas por lá são baratas e boas, não há necessidade de levar tanta coisa! Acreditem!

Durante essa semana fizemos algumas reuniões, onde passei para o grupo instruções importantes sobre o Japão, como legislação, respeito, costumes, etc...

Em vários lugares que vamos visitar são distribuídos "folders" com algumas explicações sobre o local. Lembre-se de agradecer, mesmo que seja, com um simples "abaixar da cabeça". A maioria deles estarão impressos em inglês e em japonês (kanji). Na escrita romanizada sempre que for notado um "õ" ( a letra "o" com o tio) a pronúncia será a duplicação o som.

Um dos assuntos comentados foi quanto ao sistema Judiciário. Inicialmente achei desnecessário, pois desta vez, estarei conduzindo um grupo de pessoas íntegras, bem diferente dos grupos que eu levava nos anos 90. Mas o Professor Lencioni questionou por curiosidade.

No Japão o sistema Judiciário é bem diferente do Brasil. Aqui é um sistema brando demais, é o tal do Sistema Contraditório, onde todo cidadão é inocente até que se se prove o contrário. Aliás essa afirmação faz parte dos primeiros artigos da nossa Constituição. O Japão possui um sistema diferenciado, conhecido como Pseudo-Adversário, ou então, Pseudo-Contraditório. Alguns especialistas mundiais o chamam de sistema judicial verdadeiro.

No Japão o réu é considerado culpado, até que se prove o contrário. Por isso a taxa de condenação praticamente é absoluta, mas não é apenas o modelo que contribui, existem outros fatores.

Se uma pessoa é acusada de algum crime e é levada em custódia pela polícia, o acusado não tem direito a um advogado durante a fase de interrogatórios. Cabe a família procurar pela defesa e pelas contestações. Essa medida tem como objetivo obter a confissão do acusado mais rápido.

O Sistema Penal japonês é conhecido por ser um dos mais rígidos do planeta! Além disso, é um dos poucos países em que ainda é permitida a pena de morte. A última execução ocorreu em julho de 2018, quando foram executados, por enforcamento, “Chizuo Matsumoto”, na época com 63 anos de idade e mais 6 membros da Seita "Verdade Suprema", do qual “Chizuo” era o líder, acusados de terem matado 13 pessoas e deixando dezenas de outras em estado vegetativo, em um ataque com o gás "sarin", ocorrido em uma estação do metrô em Tókyo no ano de 1995.

As penas atribuídas aos condenados são altas, em comparação com as do Brasil. Por homicídio simples a pena é de 45 anos ou perpétua. Em casos de latrocínio é de perpétua ou pena de morte. Roubos, a pena pode variar entre 15 a 30 anos, enquanto que para furtos de 2 a 5 anos. Em caso de furtos, o condenado se estrangeiro for, poderá optar por ser expulso do país, sem cumprir a pena, desde que faça o devido ressarcimento para a vítima. Em alguns casos de roubo, o estrangeiro também pode optar por ser expulso do país, depois de cumprir pelo menos dois terços de sua condenação.

Em caso de estupro, a pena varia de 3 a 25 anos, o condenado cumpre pena total, e se estrangeiro, após cumprir a pena é expulso do país. Ainda não entendi os motivos deste intervalo tão grande entre a pena mínima e a máxima.

O sistema carcerário também é bem rígido, onde os presos seguem regulamentos severos de comportamento, higiene, alimentação, etc.

Também falei sobre algumas curiosidades no comportamento dos japoneses. A primeira foi quanto a “humildade”. A grande maioria deles são humildes, solícitos, te ajudam sempre que se faz necessário e o principal, o respeito ao próximo é fundamental. É comum você receber “ajudas” de qualquer estranho, sem ao menos pedir. Mas não se esqueçam de agradecer, “domo arigatõ gosaimassu” (muito obrigado), ou por uma simples gentileza “domo” já é suficiente.

Também falei sobre a maneira com que eles andam pelas ruas e pelas calçadas. Exceto nos cruzamentos de “Shibuya”, não atravessem uma rua, se não for pela faixa de pedestre. Os veículos respeitam a velocidade, bem como os pedestres. Para atravessar, pare perto da guia e sinalize que você vai usar a faixa, com certeza, eles irão parar o carro para você atravessar. Não esqueça de agradecer! Um simples “abaixar a cabeça” já é suficiente.

Nas calçadas, corredores e plataformas, andem sempre mantendo a sua esquerda. É fácil de se notar, um fluxo de pessoas do seu lado direito vindo e outras a sua frente indo. Eles não gostam muito de esbarrões. Não andem alinhados com 3 ou 4 pessoas do lado, andem em duplas, quando o movimento estiver grande, pois muitos estão sempre com pressa.

A mentira também é uma coisa abominável. Eles preferem “se ferrar” do que mentir. Porém quando mentem para eles, dificilmente irão acreditar novamente em uma só palavra sua no futuro – “uso-tsuki” (mentiroso) será o seu título.

A comunicação deles com os estrangeiros também é interessante. Eles até entendem um pouco o inglês, alguns até o português. Apesar de não gostar, te escutam quando lhe são questionados para alguma informação. Se entendem vão tentar te explicar, caso contrário cruzam as mãos, em sinal de que não entenderam ou não sabem. Porém se o estrangeiro tenta se comunicar em “nihon-go” (idioma japonês), primeiro eles vão te corrigir, caso você esteja pronunciando errado, porém de maneira calma, para que você aprenda. Em seguida vão te responder e te ajudar, mesmo com gestos. Eles valorizam as pessoas que tentam aprender o idioma deles.

 

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