DADOS HISTÓRICOS DE JACAREÍ

Historiando...

O começo de tudo

O caminho para o interior sucedeu, numa linha natural, a ocupação litorânea. Foram épocas de penúria e incertezas que acometeram os desbravadores ante o mundo desconhecido e selvagem. O Vale do Paraíba era um imenso sertão coberto pela mata atlântica, cortado por picadas de animais e rudimentares caminhos de índios. Desde há muito tempo, era paragem daqueles que iam para “as Gerais” em busca de ouro.

Somente em 1652, Jacareí recebeu os primeiros vicentinos. Aqui, encontrando uma terra desprovida de tudo, assentaram suas roças e passaram a viver da cultura de subsistência.

Não há um consenso quanto ao local onde tudo começou. Alguns historiadores mencionam o largo do Avareí, um terreno baixo e pantanoso, que só foi melhorado à custa de muitos aterros, onde se encontra um templo dedicado a São Sebastião. Outros, entretanto, defendem que nossa origem se deu no Largo da Matriz, num ponto mais alto, fora do alcance das enchentes do Rio Paraíba, um local seco e bem arejado que antecede o Largo do Avareí para quem, naquela época, chegasse vindo de canoa de São Paulo.

A origem do nome

Antes da criação da Vila, os que aqui viviam eram chamados simplesmente de “Moradores da Paraíba”, numa referência ao rio.

O primeiro nome oficial, “Nossa Senhora da Conceição da Paraíba” vem da religiosidade portuguesa e no culto à Imaculada Conceição.

Acredita-se que a denominação atual, de origem tupi-guarani, tenha surgido antes de 1710, de forma popular e espontânea, sendo agregada, posteriormente, ao nome oficial, com pequenas alterações ao longo do tempo: Yacarahy, Jacarahy, Jacarehy e finalmente Jacareí. O nome teria surgido para distinguir nossa Vila das Vilas de Taubaté e Guaratinguetá, que também eram chamadas de Vilas do Paraíba.

Existem duas versões para o nome: uma corruptela de “Y-agûa-yerê-ei” que significa “rio-de esquina-e volta desnecessária” haja vista que o rio Paraíba é sinuoso e em determinado local faz uma grande curva, indo em direção contrária ao curso normal.

Entretanto, aquela mais aceita diz que o nome vem de “yacaré-y”, que significa “água ou rio de jacarés”, da época que esses enormes répteis habitavam o rio Paraíba e lagoas próximas. Em 1960, nos fundos da Escola Agrícola ainda eram encontrados jacarés nativos.

A Criação da Vila

Jacareí fazia parte da Capitania de São Vicente, propriedade de Álvaro Pires de Castro e Souza, 6º. Marquês de Monsanto e 1º. Marquês de Cascais. No ano seguinte a sua fundação, em 21/11/1653, diante do Capitão-mor Bento Ferrão Castelo Branco, o Capitão Diogo de Fontes e outros moradores solicitaram a criação de uma vila em nome de Sua Majestade, pois já se encontravam em número suficiente para tal intuito e não estavam podendo, também, junto com suas mulheres e filhos, obter serviços religiosos (missa e batismo, principalmente) em Santa Anna das Cruzes de Boigi Mirim, pois, para chegar a tal Vila, que ficava muito distante, os moradores tinham que percorrer um caminho muito ruim, todo ele por morros muito altos e com uma qualidade de barro “como sabão, quando chove”. Era, pois, uma viagem muito arriscada. Na época, aqui se desenvolvia uma pequena produção agrícola, baseada no trabalho indígena, que abastecia as expedições que passavam. A vila tornar-se-ia, pois, um ponto de partida para novas viagens em busca de índios no sertão.

No dia seguinte, 22/11, vieram as autoridades ver o local.  Aqui, na casa de Diogo de Fontes, achando que a povoação seria capaz de crescer e aumentar a Real Coroa, o Capitão-mor autorizou o requerimento e a Vila foi intitulada Nossa Senhora da Conceição da Paraíba. O documento, atestado pelo Tabelião Público Judicial  Jorge de Souza Pereira, encontra-se no Arquivo Público do Estado de São Paulo.

Nos dias seguintes, foi levantado o pelourinho, símbolo da autoridade e da justiça, que nada mais era que um grosso madeiro, quadrado e lavrado, com quatro argolas de ferro aos lados e um cutelo no alto. Posteriormente ergueu-se também o prédio da cadeia. Foram, também, eleitos o Juiz Ordinário, os Vereadores e o Procurador da Câmara que prestaram juramento de obediência ao Donatário da Capitania e ao respectivo Alcaide-mor. Também foram declarados os limites da Vila: São Francisco das Chagas de Taubaté, Guacatuba, Santa Anna das Cruzes de Boigi Mirim e ao norte, somente o chamado sertão. A ata, documento oficial da criação da vila, foi lavrada em 24/11/1653.

A Vila elevada a cidade

As terras da região, fartas de material natural, ajudaram o desenvolvimento da lavoura do café que entrou no Vale do Paraíba por volta de 1790 e propagou-se pelos municípios.

Em 1840 a monocultura cafeeira já estava estabelecida, tornando o produto o mais importante, responsável pelo papel econômico, social e político da cidade.

A nova aristocracia, a dos Barões do Café, para manter a monocultura e seu modo de vida, passou a importar um contingente sem precedente de escravos africanos, provocando mudanças nos modos de pensar, agir e habitar. As casas de morada foram transferidas das fazendas para as cidades; os costumes se afrancesaram; ao mesmo tempo em que se embarcava café, desembarcavam-se baixelas de prata, mobílias, mármores de Carrara e pianos.

O desenvolvimento da lavoura, aliado ao crescimento populacional e, por conseqüência, o fortalecimento do comércio, fez com que a vila fosse elevada à categoria de cidade em 03 de abril de 1849.

A respeito da Fundação

Os historiadores, por tradição, relatam que nossa cidade foi fundada em 1652 por Antônio Afonso e seus filhos Francisco, Bartolomeu, Estevão e Antônio, o moço, que, saindo de São Paulo com suas famílias e agregados, passaram por Santa Anna das Cruzes de Boigi Mirim, pela Aldeia Freguesia da Escada e possivelmente de canoa chegaram à Jacareí, estabelecendo-se às margens do Rio Paraíba.

A família Afonso estava entre os pioneiros paulistas que semearam povoações entre Piratininga e as Minas Gerais. Dentre estas, destaque para a Vila de Mogi das Cruzes, a primeira voltada para o interior e célula mater de Jacareí. Fomos o terceiro núcleo fundado no Vale do Paraíba, depois de Taubaté e Guaratinguetá; no Estado de São Paulo, fomos o décimo terceiro.

Contudo, existem controvérsias. Na falta de documentos oficiais, passamos a aceitar esta versão como indiscutível, ainda mais após tantos séculos sem qualquer contestação.

Na verdade, após o descobrimento do Brasil, a nova terra foi dividida em capitanias, que eram doadas. Os donatários, no objetivo de tornar a terra produtiva e com isso gerar mais riquezas, estabeleceram o regime das sesmarias e passaram, também, a doar terras.

Antonio Afonso foi, possivelmente, apenas um sesmeiro, não havendo registro algum sobre sua atuação em nossa região, nem na lavoura e muito menos na vontade de criar uma povoação. Existem relatos que possuía outra sesmaria no litoral paulista e de que foi um dos primeiros povoadores da Ilha de Santa Catarina em 1666, o que demonstra que estava em busca constante por novas terras. Originalmente, aqui seria apenas um local de pouso para aqueles que adentravam o sertão. Deste modo, nossos primeiros moradores provavelmente ocupavam terras da família Afonso, sendo a Vila posteriormente fundada por um grupo deles. 

Atualmente, ao comemorarmos o aniversário de Jacareí, costumamos fazer referência a sua fundação, porém tal menção é equivocada, pois não sabemos precisar tal data. As festividades geralmente ocorrem em 08 de dezembro e 03 de abril, sendo que já se comemorou, inclusive, em 26 de setembro. A data de 08 de dezembro tem cunho religioso, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Jacareí e o dia 03 de abril faz referência à elevação de Jacareí à categoria de cidade, ocorrida em 1849. Pelos fatos históricos, acredita-se que a data correta seria 22 ou 24 de novembro, quando se criou a Vila de Nossa Senhora da Conceição da Paraíba.

Ao largo desta história, alguns estudiosos também levantaram a hipótese de nossa cidade ter sido fundada pelo Padre Anchieta, ligando seu nome ao Largo do Avarehy (Rio do Padre) onde se localiza a mais velha igreja local, de meados do século XVIII. Anchieta teria passado pela região na tentativa de reunir os índios fugidos de Piratininga, induzindo-os ao trabalho na Aldeia do Rio Comprido, precursora de São José dos Campos. Posteriormente a Aldeia se transferiu para o conhecido Banhado da cidade vizinha, adotando o nome de Aldeia de São José, em possível homenagem ao padre. No Rio Comprido, mais tarde denominado Vila Velha, estaria localizada uma sesmaria concedida a Ângelo de Siqueira Afonso, que seria um parente de Antonio Afonso. Tais fatos, se confirmados, levariam por terra nossa história tradicional e retrocederia nossa fundação para anos anteriores a 1597, quando faleceu José de Anchieta.

Explicações sobre as controvérsias da data de fundação, segundo o historiador Benedicto Sérgio Lencioni, va lê na continuação da história.

Fonte> blogdejacarei.com.br

 

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