"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

VOVÓ

 

Caminhando em passos lentos, seguindo meu caminho vou contra o vento. Absorto em meus pensamentos. Observando os pássaros e as nuvens em movimento me sinto livre e solto neste momento, na cidade em que vivo e que amo desde o meu nascimento. Jacareí.

O tempo passou e muita coisa mudou. O campo do Elvira acabou, o “ biscouto” e a Fapija. Parques novos, novas ruas, avenidas e escolas. Novos tempos.

A tarde vai chegando e em silencio sigo meu destino perdido em lembranças e coração cheio de esperança.

VOVÓ, VOVÓ. Um grito feliz de uma criança. Um doce espanto e um sorriso. Desce do carro, abre seus braços como se fossem asas de um pássaro prestes a voar e corre em direção ao suave abraço da sua Vovó tão querida.
Meus olhos brilham também, assim como meu velho coração se regozija e bate mais forte ante tão sublime e mágico instante. Agora és então uma linda VOVÓ. De mãos dadas a passear. Comovido e surpreso volto ao passado.

Nosso passado. Sentado no muro da Avenida São João 403 nas noites estreladas, via uma linda garotinha de cabelos longos amarrados num laço de fita amarela, um sorriso lindo de dentes brancos e passos elegantes passeando com sua vovó pela calçada da nossa avenida querida. Parece que o tempo voltou.

Outros tempos. Tempos felizes, a cidade, o ar puro, calmo e sereno parado no tempo.

Raros e lentos, os carros iam devagar, lentos como o tempo que custava a passar, abençoado pela graça Divina.

Respeito, amor e amizade. Viver e ser feliz. Um desejo de todos. Anos 1970.Tri campeão. Festas de São João.

Novos bairros, Panorama Esperança. Novas descobertas. O primeiro amor.

O trem já passou, a praça e o seu coreto, a igreja santa e a eucaristia, o sorvete na sorveteria Leal.

Em bandos como pardais o São João era nosso destino pela XV de novembro recém asfaltada.

Juventude, época de descobertas e aventuras. Domingo de sol, depois do futebol, pela linha do trem grita alguém.

Surge um novo caminho. O Cassununga e a Rua Salvador Preto. Casas antigas, postes de madeiras, árvores e morro da caixa d`água.

Não existia o Ralf nem o alto prédio. Uma capelinha. Surgia ali o SAAE a beira do rio. O Cassununga e o pequeno Jardim Liberdade em meio a muitas arvores. A pequena rua findava e pelo alto do morro seguíamos sem saber onde chegaríamos. Mata densa e espinhosa, aves coloridas, rastros de cobras e muitas frutas maduras. Arvores centenárias, um casarão com fama de mal assombrado. Estávamos no Futuro Viveiro do Seu Moura.

Era maravilhoso o voo das borboletas nos saudando numa imagem eternamente gravada em nossos pequenos corações. Do alto o rio parecia calmo e sereno, águas puras e cristalinas num espelho criado pela natureza divina. Após os mergulhos e as brincadeiras, o descanso sob o sol de verão. Quebrando o silencio o som das corredeiras logo a frente nos despertam a vontade de continuar. Enfim as tão faladas e sonhadas corredeiras no meio do rio.

Indomável, de beleza sem igual. Águas puras e cristalinas. Nas pequenas lagoas que se formavam entre as pedras, lindos peixes em um desfile sem igual nas águas do Rio Paraíba do Sul.

VOVÓ ... VOVÓ vamos brincar, grita a criança me devolvendo a 2020 novamente. As meninas bonitas da Avenida São João e da Padre Eugenio, quanta saudade. Seriam todas adoráveis vovós? De cabelos brancos e passos lentos? As amigas que fizemos na Rua Salvador Preto e no pequeno Jardim Liberdade. Do Campo Grande até o Viveiro do seu Moura.

Relembro de todas elas, as lindas mocinhas e os amigos em nossas aventuras. Vovós e vovôs. Cabelos brancos sim, mas com certeza com o mesmo brilho no olhar de tantos anos passados ao se lembrar daqueles anos felizes.
Célias, Eleusas, Cleusas, Elianas, Márcias, Meires, Reginas, Ângelas e Rosanas. Veras, Sandras, Dirce e Ivone, Cristinas, Cláudias; Odetes, Madalenas, Marise, Marias eTerezinhas. Arlete, Nair e todas as mais lindas vovós do querido São João. Imaginando-as surge um sorriso feliz e meio maroto em meu rosto. Apesar de tudo a vida era maravilhosa.

  por Dilpeloggia/ em 13/03/2020

 

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