"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

VOTO DE CABRESTO

 

 

Chamava-se voto de cabresto a prática através de ameaças ou violência física ao eleitor, para que votasse no candidato indicado pelo chefe político da cidade, o chamado “Coronel”, figura muito retratada na literatura.

Não havia como desobedecer, até porque a cédula era preenchida pelo próprio coronel, cabendo ao eleitor depositá-la na urna, resumida a um saco de pano totalmente violável, sob a supervisão de jagunços armados que a conferiam antes.

Prática também usual, que muitos pensam ser folclore, era receber após a votação “sob cabresto” um par de botas ou uma dentadura como recompensa.

A primeira mudança para extinguir o poder eleitoral do “coronelismo” foi em 1932 com o Código Eleitoral Brasileiro, que implantou o voto secreto durante o governo de Getúlio Vargas. Mas a criatividade do brasileiro possibilitou que as fraudes continuassem por outros meios, como a falsificação de documentos para que menores e analfabetos pudessem votar, mudar a contagem dos votos através de apuradores coniventes, roubo de urnas para troca das cédulas depositadas e mesmo ameaças físicas ou de demissão nos empregos.

Somente em 1996 implantou-se a urna eletrônica no Brasil, garantindo desta forma a inviolabilidade do voto e agilidade na apuração. Mudado o sistema eleitoral sofisticou-se o voto de cabresto, usado de forma a não infringir a lei, e mesmo deixando rastros visíveis e documentados não pode ser anulado.

É direcionado através do poder de intimidação, assim como no tempo dos coronéis.

Que o domina são entidades fortes e representativas, esparramadas pelas cidades, desde o bairro mais carente até a zona central. São as milícias organizadas e facções criminosas, especialmente nas capitais brasileiras. Elas determinam em quem os moradores ou familiares/assistidos devem votar. O risco de não obedecer pode ser a morte – pena máxima – ou a expulsão da moradia junto com agressões e mutilações.

O “voto de cajado”, como é conhecido, trata-se a imposição de pastores sobre os fiéis para que votem em candidato ligado ou indicado pela congregação da qual fazem parte. Aos desobedientes não será aplicada qualquer violência física, mas assegurado o fogo do inferno.

Mais de 100 anos se passaram. Mudou o quê?

 

por Waldir Capucci

 

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