"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

VÍRUS 2020

 

 

Eu vivi e vi.
Vivendo. Eu vi o tempo, implacável, passar.
Vivi. Vi a solidão da noite fria que fazia sofrer.
Vi tanta gente tão amada então partir.
Triste muitas vezes, vi o sol se por.
Muitas estradas percorri, sob sol ou sob chuva, tentando encontrar respostas. Muitas não encontrei.
Caminhei léguas e léguas sem fim tentando me encontrar. Quando me achei me perdi.
Das histórias que ouvi, com a alma de criança em muitas acreditei e sonhei.
Procurei o pote de ouro no fim do arco-íris nas tardes após a chuva cair. Nas montanhas, entre as matas verdejantes a caverna de Ali Baba tentei encontrar. Apaixonado procurei a torre onde vivia Rapunzel e as suas trancas para sermos felizes para sempre. Salvar a Bela Adormecida e com ela fugir deste mundo pelo pé de feijão que João e Maria deixaram.
Vi e vivi o tempo onde o amor e o respeito, o trabalho e a verdade eram o caminho.
Vi o tempo onde o homem e a mulher se amavam de verdade até que a morte os separasse.
Era o tempo de era uma vez e viveram felizes para sempre. Tempos de romance e poesia. Vida e alegria.
Cantei músicas que contavam histórias e maravilhas de se viver.
Ouvi sanfonas e violas que nos encantavam em canções vividas pelos rincões deste imenso país.
O menino que abria as porteiras e a cruz no estradão que nos faziam chorar. O rapaz de olhos claros bem azuis com a gaita em suas mãos e tocando sua linda canção. Vivi a bondade dos devotos do Divino levando a esperança que a semente era sagrada e a mesa seria farta. Ouvi os conselhos do Padre Borges. Me mostrou e eu vi a estrela guia, a mesma dos três reis magos. Ouvi e nunca esqueci a poesia da Chalana que descia o rio levando para sempre um amor perdido. Me emocionei com a história do grande amigo que foi baleado. Cantava a vida e a liberdade, era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones. Sofri com Romeu e Julieta, a vida de Elza, a leoa. Lia como criança A turma da Mônica e Pato Donald. Vi o tempo passar e este mundo se acabar. De fantasia e alegria. Se tornar frio e mortal. Loucura e insanidade. De guerras e vírus mortais.
Vírus criados pelo homem vil e amaldiçoado, que não poupa crianças e sonhos, que mina a esperança e a fé.
Ruas desertas, o silencio dos inocentes, no ar medo e insegurança. Insanos em desespero procurando migalhas.
Povo marcado, povo infeliz. Fugindo da ignorância vivendo tão perto dela. Numa cela, contemplando a vida que resta. Vendo e ouvindo o mundo se acabar.
Vendo os sinais no céu que se transforma, o povo ainda canta em suas gaiolas douradas, vejo que a esperança não se acabou, que ainda existe amor, que as orações são mais fortes e os falsos profetas se calaram sinto que a humanidade renasceu. Sinto outra vez a esperança. Na vida. Em Deus, na maneira que eu o imagino.

  por Dilpeloggia/ em 01/05/2020

 

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