"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

UM NATAL EM MINHA VIDA

 

 

Aqui, estava eu, já em minha adolescência, trabalhando como balconista no Empório Popular, que na época era administrado pelo Sr. Edmundo, pai e seus filhos, era um armazém de secos e molhados, como também, brinquedos, presentes, utensílios e papelaria, faziam frente a sua maior concorrente na época, Casa Roberto Martins, nestes itens, era dia 24 de dezembro, ano 1970, trabalhei este dia como se fosse o meu primeiro dia, o espírito natalino havia me contagiado, todos os fregueses que atendia era pura satisfação, o calor que fazia neste dia não interferia em nossa alegria e um carinho como nunca antes, entravam fregueses e saiam fregueses, os bastidores pegando fogo, gente correndo para reabastecer as prateleiras, as caixas de cereais, arroz, feijão e outros, ao final do expediente, estávamos todos muito cansados, mas com uma energia como nunca, estávamos nos preparando para a nossa saída, quando fomos avisados que teríamos que aguardar mais pouco, porque o Sr. Edmundo, queria falar com todos, tensão, o que o dono queria falar, pensamento, demissão? Mas não era, ele pediu para que cada funcionário passasse por sua sala e a cada um agradeceu a colaboração e desejou um FELIZ NATAL, a todos, e junto veio acompanhado com um bônus de Natal e uma cesta de Natal com panetone, peru, champanhe, algumas guloseimas, todos ficaram felizes com o agrado e cada um seguiu seu rumo.
Cheguei em casa, em uma época que estava muito difícil, quando cheguei ao portão, estranhamente a casa estava toda apagada, somente a luz de nossa cozinha estava acesa, sorrateiramente entrei pela porta da sala que se encontrava aberta, provavelmente por causa do calor que fazia, em silêncio fui entrando casa adentro e quando cheguei na copa, parei, meus pais estavam sentados em volta da mesa na cozinha e conversando aquela conversa que só eles queriam conversar e era o que eles sempre faziam, para que não pudéssemos sofrer com seus problemas, mas esquecendo que para nos poupar, ficávamos alienados ao que se passava ao nosso redor e esta era a chance de descobrir o que se passava na minha casa, continuei a escutar a conversa.
Meu pai
- É, este ano nada saiu conforme queríamos e este Natal apesar de todos os esforços, vai ser um Natal magro, estou sem condições para fazermos uma ceia e festejarmos com nossos filhos.
Minha mãe
- Não fique assim, as coisas vão mudar e vamos dar a volta por cima, não fique assim, faremos alguma coisa bem simples e ceiaremos com nossos filhos.
Neste momento, não resisti em ficar no anonimato nesta conversa e no espírito natalino que reinou durante um dia todo, saí da penumbra, apareci do nada e com os olhares espantados de meus pais falei:
- Não se preocupem, iremos ter nossa ceia de Natal, aqui está o peru, as passas e tudo que precisamos para que possamos festejar, coloquei tudo em cima da mesa e abrimos os braços e nos abraçamos e nos beijamos, meu pai, mudou, minha mãe, não se continha em sua alegria e gritou FELIZ NATAL.
Meus irmãos cada um foi aparecendo e aumentando o contágio natalino, foi um dos melhores Natais que passei em minha vida.

  por Alex Muller/ em 25/12/2019

 

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