"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

"O CÉU POR TESTEMUNHA"
 

Preciso escrever a primeira crônica para 2020 e a redatora da revista me avisa que preciso enviá-la ainda este ano. Estou aqui, observando a tela branca e pensando sobre que assunto eu gostaria de abordar. Ainda nem fiz a retrospectiva deste ano que termina e já outro se inicia nos prometendo... nos prometendo o que mesmo? Não sei direito, mas me parece que ele não nos promete nada que não alcancemos por nossa própria vontade e esforço. A vida é feita de repetições, se a seguirmos ao rés do chão. Vamos repetindo os mesmo antigos hábitos, a mesma rotina, os mesmos caminhos, as mesmas ladainhas, e mais um ano se passa e, nessa briga pelo ato de viver, vamos nos esquecendo de nós mesmos. E o tempo não para, e o hábito vai nos desgastando, nos desgostando, nos fatigando.” É preciso reagir”, afirmamos para nós mesmos enquanto mergulhamos no sonho inebriante de que o ano novo fará de nós uma pessoa nova. Será que esta grande comemoração existe para nos fazer lembrar do que sempre esquecemos? Do porquê estamos vivos? Da simplicidade essencial que permeia a existência? Da magia que o dia e a noite representam neste contínuo vir a ser que tem em si o poder transformador que tanto buscamos? Planejamos o ano mas nos esquecemos do instante já. Do eterno agora. Enviamos tantos votos para as pessoas que amamos, mas, durante o ano não encontramos tempo para as abraçarmos, as ouvirmos, as presentearmos com a nossa presença.
“Quando se vê, já são 6 horas: há tempo.../ Quando se vê, já é sexta feira.../ Quando se vê, passaram 60 anos! “ (Mário Quintana). Assim vivemos! “Casca oca/ A cigarra/ Cantou-se toda)” Bashô. Assim morremos! Casca oca! Que fim nostálgico!
Então, que neste 2020 que se inicia, possamos não continuar nos arrastando pelos mesmos caminhos, pesados feito menires que se fixam ao chão com o lastro de tantas discussões inúteis, brigas ideológicas, ofensas, agressões, apegos, que só esvaziam nossa essência e nos tornam cascas ocas de conteúdo. Vamos libertar-nos deste casulo de intolerâncias, abrir nossas asas e levantar um vôo livre e grandioso. Vamos permitir que o vento da Paz e do Bem comece a soprar dentro da gente e remova, de lá de nossas profundezas, dos nosso turbulentos mares brumosos todas as dores, asperezas, medos e angústias, para que a beleza que há em cada um de nós se revele plena, livre, liberta de todas as crenças e amarras.
Que em 2020 possamos todos levantar âncora e voar! VOAR! E que assim seja!

 

Ludmila Saharovsky - 20/12/2019

 

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