"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

NO TEMPO DAS CHARRETES

 

 

A chegada dos modernos supermercados nos anos setentas afetou comerciantes do Mercado Municipal. Parados no tempo eram obrigados a assistir, sem poder enfrentar em igualdade, os concorrentes que faziam entregas domiciliares gratuitas em “Kombis” e ainda ofereciam outras vantagens da modernidade ao consumidor.

Assim, como outros segmentos também que foram atingidos, as charretes, movidas por tração animal desapareceram em pouco tempo e, junto com elas, o mau cheiro dos excrementos dos cavalos espalhados pelas ruas de paralelepípedo ou terra. Sobraram as histórias de charreteiros como o folclórico Luiz Guandú, veterano de guerra, seu Juca, conhecido por sua educação admirável, Burgarelli, Nelson e outros. Hoje, as charretes são encontradas apenas em cidades turísticas para passeios bucólicos, e os animais atrelados continuam emporcalhando as ruas.

Extintas também do entorno, as inocentes crianças guardadoras de bicicletas, antecessoras dos atuais “flanelinhas” que “olham” os automóveis, mesmo quando pagamos zona azul (e azar do motorista que refutar os serviços desse “profissional”).

Os antigos “chapas”, designação dos trabalhadores braçais na descarga de caminhões, foram substituídos pelas empilhadeiras com capacidade para 4 toneladas. Ainda podemos encontrá-los às margens da Dutra quase que implorando serviços aos motoristas que trafegam na rodovia. Geralmente passam dos cinqüenta anos, sem chances de empregabilidade no mercado de trabalho.

Apontador de jogo de bicho foi outra categoria que diminuiu de forma alarmante. Hoje vemos um ou dois exercendo a atividade no Mercado. A concorrência com a CEF (Caixa Federal) que explora todos os tipos de apostas compensou a troca: gerou muitos empregos com registro em carteira nas lotéricas.

E como esquecer os insuperáveis bêbados e desocupados, presença marcante no interior e cercanias do antigo centro cerealista municipal? Não conturbam mais, aparecem vez ou outra, porém, pelo visto jamais serão extintos. Não bastam os programas de atendimento desenvolvido pelas igrejas, associações, clubes de serviço e todos os níveis de governo. São vistos diariamente em bares, ruas, praças, avenidas e estradas, trombando uns com os outros e por muitas vezes conosco, meros transeuntes e cidadãos sóbrios que ousamos cruzar seus caminhos, geralmente (ou seria costumeiramente?) tortuosos.

Dos velhos tempos ficaram somente as lembranças.

 

por Waldir Capucci / Publicado no Diário de Jacareí em 01/09/2018

 

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