"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

NÃO DEU NOS JORNAIS

 

 

Na sessão de obituário dos jornais não foi publicado o falecimento de João José da Costa Filho, ocorrido em 10/10/2019 na cidade de Jacareí. Mesmo se publicado, muito poucos saberiam tratar-se de “Costinha”, figura simpática e brincalhona que por muitos anos trabalhou como jornaleiro na banca localizada próximo À bicentenária Capela de São Sebastião, no Avareí.

Oriundo de Itanhandu/MG, há muitos anos se estabelecera em Jacareí e aqui constituiu família e uma legião de amigos que admiravam seu jeito despojado, sempre com uma piada ou gozação na ponta da língua, e um sorriso misto de tímido e escrachado. Comunicativo ao extremo, sabia a preferência de cada cliente por jornais e revistas, e até mesmo assuntos que poderiam interessar aos mesmos, o que facilitava a ele vender outras publicações e, assim, aumentar o movimento financeiro do pequeno comércio.

Posso afirmar que depois do saudoso Otávio Schiamarella, o falecido Costinha foi o jornaleiro mais popular da cidade. Exerceram o ofício em épocas diferentes, quando comprar jornal era hábito comum dos cidadãos e todos se inteiravam das notícias da política e esportes através dos periódicos. Cada qual a seu tempo vendeu milhares do Diário de Jacareí, Diário da Noite, Gazeta Esportiva, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Agora, O Valeparaibano, Notícias Populares, Jornal da Tarde, Gazeta Mercantil e outros.

A boa conversa estava inclusa na venda. A amizade entre vendedor e cliente era alicerçada a cada venda, assim como entre os clientes contumazes, afinal, o espaço virava plenário popular e todos falavam de tudo que se desenrolava a nível local, nacional ou mundial.

Quase não temos bancas de jornais e desapareceram também jornaleiros da estirpe de Costinha, talvez o último da profissão marcado pela excelência no atendimento. As notícias deixaram de ser impressas e são publicadas nos sites; as conversas e abraços foram substituídas pelo WhatsApp e as boas piadas e gozações estão praticamente proibidas em razão do patrulhamento geral e “mimimis” pessoais.
O mundo já estava ficando chato e, com a partida do Costinha, ficou ainda pior.
Divirta-se em paz, meu amigo.

 

por Waldir Capucci / Publicado no Diário de Jacareí em 26/10/2019

 

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