"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

JUSTO NO DIA DA INDEPENDÊNCIA?

 

 

Ouço espantada a babugem da raiva em um 7 de setembro cheio de sol. Corro para ler os jornais dos países ditos civilizados; que vergonha! Saltam palavras contra o bufão, os brasileiros não mereciam esse ridículo, não bem no dia da Independência do Brasil.
Minhas esperanças se partem em cacos, a Bolsa cai, fuga de investimentos; os quase 600 mil mortos pela ausência de vacinas, remexem-se dentro dos corações dos parentes que ficaram. E eu choro a vergonha dos tempos atuais.
Alguém há de levantar a voz , seguida mundialmente por outras vozes, a gritar contra o absurdo da destruição da Amazônia, árvores em chamas, árvores cortadas , árvores vendidas ilegalmente ; cada árvore que é derrubada, interrompida ou incendiada reflete- se em enchentes, secura do clima, destruição da beleza de uma floresta que, aos poucos, encolhe e nos deixa mais e mais pobres.
De sobre um caminhão, um presidente ataca o STJ e diz que não mais obedecerá as decisões do ministro Alexandre de Moraes. Aplausos e mais aplausos, nunca imaginei que passaria por uma vergonha dessas.
Aplausos para os rios poluídos.
Aplausos para a falta de conhecimento e dignidade.
Aplausos para o vilipêndio das terras indígenas.
Descaso para com os trabalhos da CPI da Covid e o esforço de senadores da República.
Aplausos para as fake news que elegeram a cambada.
Descaso para com o salário dos trabalhadores e o preço do arroz feijão.
Aplausos para o preço gigante do litro dos combustíveis.
O presidente delira e o “povo” ali “representado” delira também, certos de que tudo está bem, obrigado.
Aplausos a favor da inflação.
Aplausos para as universidades estagnadas em plena pandemia.
Aplausos para as importações escusas de vacina apuradas pela CPI. Enquanto isso, a Fiocruz e o Butantan hostilizados e sem insumos de pesquisas; com a consciência patriótica em dia, teríamos sido os primeiros a fabricar vacinas e a prevenir a morte desses brasileiros que foram embora sem chances, sem se despedir, envoltos apenas pelo amor dos seus, dos trabalhadores da área da Saúde, os que resistiram por amor à causa de salvar vidas. Uma tragédia se consumou por causa da ignorância aguda do presidente e seus “aconselhadores”, “especialistas”: um ministro da Saúde que nada sabia de saúde por longos meses: “um manda e o outro obedece”...
Enquanto isso, envoltos nas trevas da insensatez, da deseducação e do desrespeito , os que assistem ao discurso de ódio em São Paulo aplaudem: quem são, de onde vieram, que roupas aquelas, iguais; faixas iguais, que origem tem aquilo tudo? Estamos pagando por aquilo também?
Não se falou sobre a crise hídrica, nem se fez a reflexão sobre o Dia da Pátria, dos brasileiros sofredores, plenos de dívidas e desempregados, sem escolas adequadas que lhes permita pensar que tudo tem sido um engodo, uma vergonha, armadilha.
Que tristeza, olho as pessoas e imagino o quanto elas estão necessitadas de comida real, escolas reais, salários reais, perspectivas, beleza, saúde, arte, alegria de viver.
Que o Universo nos conceda, está tudo escrito.

  Esther Rosado - Ponto e Vírgula - Jornal Semanário/ em 10/09/2021

 

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