"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

AS FESTAS JUNINAS DE JULHO

 

 

Em pleno mês de “julho” as festas “juninas” ainda se fazem presentes pela cidade. Sinal evidente que tudo se moderniza, por vezes para melhor, outras para pior. Fico com a segunda hipótese.

A mais antiga festa brasileira surgiu da união dos costumes europeus trazidos por jesuítas (culto à fertilidade em junho) e celebrações indígenas ligadas à agricultura (comida, cantos e danças), que se fundiram para homenagear os santos católicos (Antônio, João e Pedro) com os costumes nativos.

No decorrer dos séculos adquiriram características regionais, e nosso Vale do Paraíba tinha até os anos sessentas um modelo uniforme para comemorar. Tudo mudou e da essência “caipira” restaram somente lembranças.

Aos tradicionais doces caseiros vieram juntar-se produtos industrializados, às bebidas o chopp, batidas e energéticos. E na culinária surgiram churrasquinhos, churros, cachorro quente e pizza.

Maior violação foi feita com a música. Substituíram as canções típicas marcadas pelo som de uma sanfona, pelo sertanejo universitário, samba e, pasmem, hip hop e funk. Devem estar se remoendo nas sepulturas os saudosos Assis Valente, João de Barro, Lamartine Babo e Luiz Gonzaga, ícones na criação de músicas versadas sobre o tema.

Outra mudança radical ocorreu com a dança da quadrilha, ponto alto das festividades e da qual participavam crianças, jovens e adultos. Está de tal modo descaracterizada que, hoje, é associada ao noticiário político ou policial.

Até mesmo o bolinho caipira, patrimônio imaterial e histórico de Jacareí, está tomando características bizarras com recheios extravagantes, mais assemelhados aos pasteis de feira. Ainda bem que a Feira do Bolinho Caipira, maior evento da cidade, obriga os criativos barraqueiros a vender também o tradicional, com recheio de linguiça. E, independente da Feira, temos o produto o ano todo no Mercado e outros pontos comerciais da cidade, inclusive em praças públicas.

Lembranças com sabor e recheio únicos para quem, como eu, possui traços encanecidos: os da saudade.

Os “modernos” nem se lembram do aniversariante Jesus, no Natal. Tampouco dos também homenageados Antônio, João e Pedro, em junho. Pobres modernos. Que se justifiquem no dia do Juízo Final, e, enquanto chorarem, que me assistam dançando uma quadrilha autêntica nesse dia.

 

por Waldir Capucci / Publicado no Diário de Jacareí em 08/07/2019

 

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