"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

ÉRAMOS SEIS?

 

 

Éramos seis? Éramos em quantos? Nunca pensamos em contar, pois nosso tempo era para apenas viver. Ser feliz.
Éramos em quantos? Dez,vinte oitenta? Uma centena? Quase uma certeza. Com certeza éramos felizes. Uma praça, uma ponte e um grande quintal. Uma pequena e linda cidade num vale encantado onde se respirava felicidade. Jacareí. Dos Rios Paraíba e Parateí.
No querido São João as festas juninas dos bolinhos, pipoca e quentão. Dos lippis, Barbieres, dos Truitys e dos Peloggias e suas grandes famílias. O cônego da igreja era Borges, mas para nós sempre será o querido PadreToninho. No rio Paraíba pescávamos e nadávamos na Prainha. Na Padre Eugenio corríamos até a mãe chamar. Venham jantar. Cada dia era na casa de alguém. Os banhos eram rápidos, muitas vezes de bacia ou no tanque de lavar roupas. Pegávamos vagalumes e fazíamos lanternas, comíamos farofa com iças. Nas noites quentes cadeiras e bancos, janelas e portas abertas. Tinha café na chaleira no fogão a lenha e bolo de fubá. Á luz do lampião a gás iluminavam as noites. Avenida São João numero 403.
Éramos seis? No parque o alto falante pendurado no poste a gente ouvia One day in you life Bem e Music and me e se divertia. Haviam os namorados de mãos dadas a passear, outros nas varandas apaixonados olhando o brilho do luar. O pátio da igreja sempre movimentado em volta do Padre Toninho.
Éramos mais de cem. Vimos o asfalto cobrir a avenida Santa Helena, surgir lá no alto o Panorama.
Os campinhos de terra batida depois da escola. O Barão de Jacareí e novo Pompilio Mecadante.
Virava seis terminava doze ou quanto a noite caia.
Surgia o Ginásio Milton Scherma e o torneio Vicente Scherma junto com a ponte Nova. Éramos seis? Gamela, Bagattinni eram nossos maiores craques, nos domingos a festa era no Campo da Liga lotado. Os clássicos Ipiranga X Palestra, Adatex e Schurader. O Independência contra o Sãopaulinho. A querida Lavalpa onde minha sempre querida e saudosa mãe Anna Eliza dedicou tantos anos de sua vida. As lavouras de arroz e feijão no Rio Abaixo que meu pai tanto labutou. Sr. José Peloggia. saudades...
As nossas musas no São João eram as mais lindas da cidade. As protegíamos dos meninos que tentavam atravessar a ponte. Elas eram tantas, olhávamos para ela apaixonados sonhando um dia sairmos de mãos dadas da Igreja Matriz casados. Célias, Eleusas, Cleusas, Rosanas Veras e Denises, Lucias e Marias.
Éramos quantos? No Elvira e Trianon no futebol de salão éramos os melhores do vale. Não importava quem ganhou ou perdeu. O importante era a amizade que surgia forte e duradoura.
Elvira, Vasquinho, Barbearia ou Rádio Clube, grandes times de grandes e novos amigos para sempre.Orestinho, Neu,Barreiros, Vitor e Helinho, Paulinho e Maurino, Murilo, Cebola e Nogueira. Luizinho, Natal, Balaio e Cidão.
Juventude e aventura, nadando nas águas da Barragem do Pagador Andrade, curtindo os longos e divertidos dias das Fapijas. Tomando cerveja no Bar Brasil ou nos bailes do Elvira.
Éramos seis ou uma centena? Mais, com certeza. Éramos privilegiados sem dúvida. Uma geração especial. De amigos verdadeiros, sinceros e leais. Honestos e trabalhadores. Respeitávamos pai e mãe. Amávamos todos os professores. Acreditávamos em nós e em Deus. Hoje restam quantos? O tempo passou e alguns com ele levou. Restam a felicidade e alegria estampadas no brilho no olhar, em cada sorriso em cada reencontro. Até quando o ultimo restar. Ficarão as lições e as lembranças nas velhas fotos, troféus e medalhas, nos recortes do Diário de Jacareí para as novas gerações que um dia conheceram aqueles seres iluminados que tiveram a melhor infância e juventude que podiam existir.
Èramos seis, dez, uma centena?
Dilpeloggia 21/02/2020

  por Dilpeloggia/ em 21/02/2020

 

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