"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

ENCOLHIDO PELO SUPERMERCADO

 

 

Reinaugurado em 1962, o Mercado Municipal, agora revigorado, continua sendo um importante centro econômico com variados tipos de comércio. Mas foi durante os anos sessentas e setentas que ele mostrara sua pujança e quanto era importante para a economia de Jacareí.

Não havia linhas de ônibus circular e eram poucos veículos particulares e taxis. A população usava charretes, bicicletas e, não raro, carroças. No entorno do mercado concentravam-se os bolsões de estacionamento que ocupavam, também, os fundos do estabelecimento e as ruas laterais. Ali ainda ficavam os autônomos, engraxates, guardadores de bicicleta, ‘chapas’ (descarregadores de mercadorias) e anotadores de jogo do bicho. Aposentados em geral e desocupados profissionais marcavam presença todos os dias.

A população dependia do mercado. Vinha gente de todos os bairros, mesmo dos mais distantes, para adquirir mantimentos, roupas e utensílios. Aos domingos, eram muitos os visitantes de fora, especialmente da capital paulista, que além das compras causavam inveja aos locais com suas roupas novas e vistosas, a indicar que haviam saído pouco antes da missa na Matriz.

Tudo girava em função do Mercado Municipal, e foi assim durante anos até surgir bem próximo dali, na Rua Coronel Carlos Porto, o primeiro supermercado: a ‘Cerealista Jacareí’, de propriedade do empresário Bruno Decária. A novidade provocou uma reviravolta na relação com o consumidor. Preços mais baixos, produtos à mão, carrinhos de compra, caixas registradoras, enfim, tudo fazia lembrar o Mappin (primeira grande loja de departamentos da Capital), impossível para o público não se encantar com a modernidade.

O impacto provocou o surgimento de novas empresas semelhantes e fez com que o mercado decaísse no gosto do público. Anos difíceis vieram a seguir. Muitos comerciantes venderam seus boxes, novos nichos de comércio foram abertos no mercado, mas nada que pudesse enfrentar em preços, qualidade e comodidade as modernas lojas da segunda metade do Século XX.

Acabou por afetar, inclusive, os trabalhadores do entorno do prédio, mas é assunto que abordaremos em outra edição.

 

por Waldir Capucci / Publicado no Diário de Jacareí em 04/08/2018

 

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