"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

CASTELOS DA CORES

 

 

Antigamente nossas indústrias tinham capital nacional e os termos “multinacional” e “globalização” nem eram falados. O parque industrial era composto, entre outras, pela Fábrica de Tintas Castelo, que funcionou até poucos anos atrás. Impossível dissociar a empresa da figura de seu diretor, Harold Barnsley Holland.

Pessoa respeitadíssima, Harold era filho de estrangeiros e aqui chegou com 42 anos para integrar sociedade na empresa. Viveu mais de um século e deixou marcas pelas ações humanitárias, atuações pelo Lions Club e propagação da ecologia quando ainda não se falava nisso. Pelo exemplo recebeu inúmeras e merecidas homenagens ao longo da vida.

Tintas Castelo, com prédio também centenário, de marcante arquitetura, ostentava na fachada as cores das tintas ali produzidas, valorizava todo o entorno e deixava-o mais pujante, cheio de vida e cores. Foi a primeira indústria a produzir tinta em pó no Brasil. Após sua desativação, o prédio foi colocado à venda e acabou quase que totalmente consumido por um incêndio. A fachada pintada em vários tons resiste, mas pode desabar de vez a qualquer momento. Restam paredes de tijolos sem reboco, vigas queimadas, vidros estilhaçados e poucas telhas, todas chamuscadas. O cenário mais parece filme apocalíptico.

Vizinho de frente, e contrastando com o local semi destruído, está o revigorado Parque dos Eucaliptos, que reúne famílias para momentos de lazer e entretenimento. Substituiu o prédio fronteiriço com seu belo ajardinamento e mobiliário ecológico com reuso de madeiras, no esplendor de vida através da presença e riso das crianças e jovens que o freqüentam e repleto de cores contidas nas flores, insetos, pássaros e natureza presente. E, mais ainda, irradia a felicidade expressa no amor invisível, mas perceptível, do coração de pais e avós que compartilham o espaço com filhos e netos, ou dos casais enamorados que se abraçam ou trocam beijos e juras de amor.

Comparando o passado com o presente vemos a fábrica de tinta em pó retornando ao pó, e o Parque dos Eucaliptos, sem eucaliptos, renascer como um dos mais belos e aprazíveis locais do município. Para um futuro melhor precisamos apenas de cidadãos da estirpe e grandeza de Harold Holland. 

 

por Waldir Capucci / Publicado no Diário de Jacareí em 06/04/2019

 

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