"CRÔNICAS DA CIDADE"

 

 

A BOLA DE MEIA

 

  O ônibus seguia viagem pela estrada movimentada em direção a cidade de Sorocaba, pelas janelas vislumbra-se uma linda paisagem, depois de deixarmos para trás o rio agonizante e o cheiro nauseante.

A grande metrópole e seus prédios gigantes, sua poluição e sua gente a tudo indiferente.

No céu uma lua brilhante e estrelas cintilantes. As crianças do time de futebol alegres e confiantes perguntando a todo instante se ainda estávamos muitos distantes. É logo adiante, respondia a aquelas crianças tão falantes. Uma velha canção no celular paralisa meus pensamentos por um breve instante.

Balada nº 7. “ Mata a saudade no peito, driblando a emoção, na rede ainda balança seu último gol.”

Infância de pés descalços correndo pela Estrada do Barão até chegar ao campinho que ficava ao lado do riozinho de águas puras e cristalinas. Duas traves de taquaras e uma velha bola de “capotao furada”, enchida com papel, sacos de estopa, capim ou o que estivesse á mão.

Todos descalços não havia juízes ou regras. Virava seis e terminava aos 12. Me recordo agora. Uma só regra, perdendo ou ganhando, para todos. Ser feliz sempre. Após o jogo, todos mergulhavam nas águas límpidas do rio, não sabendo a saudade que daqueles tempos um dia surgiria.

Os gritos e aplausos das crianças me devolvem a realidade. Chegamos finalmente. A porta do ônibus se abre e mesmo com nossas recomendações, descem apressadamente, rindo e cantando alegremente.

Chegamos para mais uma partida a ser jogada na quadra gigante. Seus olhos brilham intensamente, maravilhados com a beleza e as cores da Arena de Sorocaba e as boas vindas da torcida adversária.

Mas hoje a vitória não nos sorriu. E a tristeza então surgiu.

Por um breve instante. Pois nos braços e abraços da nossa torcida a alegria voltou.

Crianças, podemos vencer ou perder. O importante é lutar e viver. O mais importante e ser feliz sempre.

Segundos depois estão correndo pelos corredores do ginásio, brincando e sorrindo novamente esperando o dia de jogar outra vez.

Crianças não trancam seus corações. Se chegam as tristezas, logo pela mesma porta que entrou elas saem. Só tem lugar cativo para a alegria de sorrir e ser feliz sempre. Quando choram suas lágrimas limpam seus olhos e fortalecem seus corações. Com seus abraços e sorrisos sinceros dizem tudo que nosso coração precisa ouvir. Agradecidas e confiantes. 

Obrigado crianças, aos papais e as mamães que viajam juntas fazendo uma corrente de apoio e confiança. Quisera um dia poder ser criança outra vez. Brincar e jogar bola, cantar e ser feliz. Ter o coração sempre aberto para receber, acreditar e confiar. Esperar a próxima partida com a certeza de ser um vencedor.

E no ônibus na viagem de volta para casa, cantar e saber que a vida pode ser maravilhosa. Afinal quem nunca sonhou em ser jogador de futebol?

  por Dilpeloggia/ em 06/10/2019

 

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