ESPAÇO CANTO DAS POESIAS

 

Roberto Donizete de Souza

"MÃOS DE MÃE"

 

Mãos de mãe que afagam;

Que cortam lenha;

Que amparam;

Que lavam e passam;

Que se juntam na oração;

Que mexem a comida;

Que enxugam lágrimas;

Que aplaudem;

Que acalentam enquanto dormem;

Que se juntam a tantas outras lavadeiras no riacho da vida;

Que não se envergonham em ter que pedir para o sustento dos filhos;

Que se fazem verdadeiras muralhas para a proteção;

Que, de tão singelas, acariciam os sonhos de filhos fortes e formosos;

Que se despojam de si mesmas para garantir o pão;

Que nem sempre têm como levar aos lábios o batom;

Mãe que raramente são carinhadas por aqueles a quem gerou;

Que se estendem compadecidas e irrequietas no leito do filho doente;

Que se desesperam e não se acalmam nas noites intermináveis de seus rebentos ausentes;

Mãos que não titubeiam na hora de esfregar e limpar o chão de tantos cômodos, tantas casas;

Que se mantêm puras quando tudo 'a sua volta já se perdeu;

Que se elevam para os céus clamando pelo Senhor da vida;

Que calejam nas duras manhãs do trabalho nas roças;

Que se mantêm unidas, como resistindo ao tempo;

Que se debatem na defesa dos seus;

Mães que não descansam enquanto o filho não vem;

Que conservam a meiguice e o mistério de quem sempre amou,

afagou, labutou, sofreu, mas nunca deixou de ser mãe!

R. D. de Souza

 

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CANTO DA POESIA

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