ESPAÇO CANTO DAS POESIAS

 

Mário Guerra

" CASA ABANDONADA"

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Lá no ermo de um sítio, onde mais nada existe

Apenas se conserva abandonada e triste

A velha e solarenga casa da fazenda

Lá dentro jazem ruínas da desolação,

Vestígios de paredes, portas pelo chão

E resto de um telheiro em carcomida fenda!

 

Ela fora talvez, outrora ali erguida

A faustosa vivenda a luxo construída

De uma rica família, nobre ou potentada...

E hoje deserta e triste, é o vago casarão

Sombrio, desolado, imerso em solidão,

É solar esquecido, é casa abandonada.

 

Quantas vezes, talvez essa casa sombria

Não abrigou em festa, em horas de alegria,

Felizes gerações em dias de ventura!

De tudo que viver ali é testemunha...

Mora, apenas, lá dentro um tédio que acabrunha

Que é por certo a saudade de inda ali perdura.

 

Horas mortas ali, tudo é vago e soturno,

Paira imensa mudez num silêncio noturno

Que ela, só, solitária, vela insone e triste.

Intérmino fadário ali cumpre calada!

Como eterna reclusa assim foi condenada

E sofre, e no abandono o seu sofrer consiste.

 

Velho solar! Ninguém vai reparar-lhe os danos

Que o tempo lhe deixou no perpassar dos anos...

Ninguém, todos acham-na tetra, acham-na horrenda

E ela espia em silêncio, inerte ali postada

E afinal, não encontra um olhar que a compreenda.

 

É como quem padece a dor dos desenganos

Que a vida recolheu no acumular dos anos,

Ao triste coração cansado e envelhecido...

Que ocultando em sua alma infindas agonias

Sepulta-se no tédio amargo dos seus dias

E sofre inconsolado, estranho incompreendido...

M. Guerra - 1967

 

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CANTO DA POESIA

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