ESPAÇO CANTO DAS POESIAS

 

Benedicto Sérgio Lencioni

O CANHÃO, O PUNHAL E O LIVRO 

 

Eu sou o canhão, vil, fero e temido

e quando cuspo fogo sou ouvido

nas siderais distâncias do infinito.

Sou eu que dito as leis e o inferno habito,

eu que implanto nos homens o terror

e semeio na terra sangue e dor...

E a minha voz ribomba, tomba e zomba

e lança na amplidão vil hecatomba

é bomba que semeia e vilania,

é morte, destruição, a tirania.

Eu sou forte, temido e respeitado

e haverá alguém me superado?

 

Eu sou mais do que tu, pobre canhão

que bravejas nos céus como um trovão,

replicou o punhal. Sou traiçoeiro,

na minha pequenez, eu sou ligeiro

e decepo dum golpe uma cabeça.

Eu espero que a sombra da noite teça

para depois agir covardemente.

Não há ruído algum, pois quietamente

eu me arrasto sedento de matar

para com sangue a ânsia saciar.

Na minha covardia eu assassino

e os homens pelo medo então domino.

 

Eu sou a luz da mente, sou luz d'alma,

e sou da humanidade a viva palma.

A palma de uma mão boa e fagueira,

a mão que o homem conduz, a vida inteira.

Eu sou o livro  - arma sacrossanta,

eu sou a liberdade, a paz que imanta

a espécie humana da obscuridade

eu sou pr'a mariposa a claridade.

Eu sou a voz do tempo, a voz do povo

no labor de formar um mundo novo.

Eu não derramo sangue pela terra

e, sim, semeio a luz que só encerra

esperança, saber, fé, paz e glória

eu contenho do mundo sua história.

B. S. Lencioni – 1967

 

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CANTO DA POESIA

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