ESPAÇO CANTO DAS POESIAS

 

Alison Silva

"Do teu resigno" 

 

Não há cheiro de rosas,
Essência de flores,
Apenas o meu instinto olfato
Sente em mim o cheiro do meu velório.
Eras moram em mim,
Apenas sinto no instinto.
E você pergunta,
E eu sei que eu existo.
Você olha para o nada e eu sinto frio.
O frio que o medo
Não me deixa mais queimar.
Não existe em mim mais desgraça
Do que desejar e não sentir calor.
O sussurro doce, o amargo do fim.
Quantos fins existiram para mim?
Quantos personagens eu fui?
E você olha.
Você procura e me encontra.
Ai de mim!
Algo amargo como o fel,
Raso e inseguro
Que predomina o lado escuro dos sentidos,
Deixa transparecer no olhar
A insegurança do amor.
A incerteza da vida.
A existência da morte e da inexistência.
Este além que se esvai em segundos de agonia,
Derretem-se em lágrimas,
E por incrível que pareça eu ainda posso chorar.
Neste sentido em que tudo se transforma,
Desarraigando o ódio do amor,
Influenciando a paixão
Existente no coração quase amortalhado.
Tua presença é algo perigoso, inocente,
É a parte que falta em mim.
A parte que me faz sussurrar: o amor.
Não temas o amor, pois,
Não existe nada mais elegante
Que o amor e a partida.
Essa ternura inspira poetas,
Amantes da lua, os poetas.
Isso controla a mente dos fracos
Que enlouquecem de amor.
Daqueles que fazem o vale dos suicidas florescer.
Florescer, de flores estranhas, de medo,
Flores de agonia e depressivas,
Flores fétidas, covardes.
Essa chama inconstante,
Que parece determinar no seu olhar,
O meu iminente fim.
Por que não importa quem eu sou,
Nem o que eu poderia ser.
Sem você eu sinto a morte correr nas minhas veias.
Sinto frio germinando lamúrias,
Sinto as dores do mundo.
Sinto dores de parto.
Isso me faz ser louco?
Mesmo todas as águas do mar,
Assim como todas as lágrimas que eu derramo,
Não significam nada para o seu olhar soberano.
Nada vezes nada,
É o que significo ao suplício enganoso,
Do seu prazer de ser.
Nenhuma filosofia,
Nenhuma verdade,
Nenhuma mentira,
Nenhuma palavra que tenha nexo,
Pode explicar o teu doloroso resigno.

Mas prefiro falar do seu cheiro
Que deveria inspirar o perfume de novas flores,
Inspirar donzelas, lordes e heróis.
Como esse seu cheiro inspirou a minha fragrância amorosa,
Minha poesia.
Dou-te agora em face do teu olhar desordenado
Uma rosa fruto da utopia,
Da paixão que nos desgraçou.
Não há cheiro de rosas,
Nenhuma face mais amarga
Da nossa estranha desgraça.
Há apenas o reflexo pálido do teu rosto doce,
Com o rubor virginal,
Que com demasia a noite desenhou.
Apenas vejo á margem do seu olhar
Todas estas palavras sem nexo
Se juntarem contra mim
Como numa poesia sem rimas.
Sou eu sem o teu brilho.
E a mim?
Cortaria pela raiz o botão de amor,
Se fosse eu, teu, desígnio?

Alison Silva – 02/2020

 

PÁGINA INICIAL

CANTO DA POESIA

Este site é administrado e gerenciado por Celso Luís Vasques -  Editado pela última vez em 10/05/2020 17:11

Envios de arquivos, fotos e correções para jacarei@jacarei.blog.br - WhatsApp > 12-997653533